Com mais de metade da população portuguesa com excesso de peso (67,6%) e a obesidade a afetar 28,7% dos adultos, a Ordem dos Nutricionistas (ON) alerta para a dimensão crescente destes números, sublinhando a necessidade de reforçar estratégias integradas de prevenção, tratamento e manutenção, assentes em cuidados alimentares adequados e na promoção de mudanças sustentadas de comportamento.
Os dados constam do mais recente Despacho emitido, em 2025, pelo Gabinete da Secretária de Estado da Saúde, e confirmam o excesso de peso “como um dos principais desafios de saúde pública em Portugal”. Neste Dia Mundial da Obesidade, que em 2026 assinala o mote “8 mil milhões de razões para agir”, a Ordem dos Nutricionistas “reforça o alerta para a necessidade de uma resposta estrutural, contínua e sustentada”.
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Para além da população adulta, com a obesidade a afetar 28,7% dos adultos, também os números na infância são preocupantes: em 2022, 31,9% das crianças entre os 6 e os 8 anos tinham excesso de peso e 13,5% viviam com obesidade. Já o impacto na saúde e na mortalidade é igualmente expressivo: entre 2000 e 2021, a mortalidade associada ao excesso de peso aumentou 14% e a perda de anos de vida saudáveis cresceu 28% (dados do Roteiro de Ação para Acelerar a Prevenção e Controlo da Obesidade em Portugal 2025-2027, da Direção-Geral de Saúde).
Perante este cenário, a Ordem dos Nutricionistas reforça que “a obesidade é uma doença complexa, multifatorial e crónica, que exige uma abordagem contínua e integrada”. A intervenção nutricional assume, assim, “um papel determinante, sendo transversal à prevenção, ao tratamento e à manutenção, e deve estar plenamente integrada nas políticas públicas de saúde e no acesso efetivo da população a cuidados especializados”.
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“A dimensão dos números que hoje conhecemos exige uma resposta estrutural e sustentada, mas também evidencia a necessidade de garantir a sua monitorização e atualização contínua, para que as políticas públicas e estratégias assentem em dados atuais e robustos. A intervenção nutricional é determinante em todas as fases – da prevenção ao acompanhamento a longo prazo – e deve estar plenamente integrada no acesso efetivo da população a cuidados especializados”, garante em comunicado Liliana Sousa, bastonária da Ordem dos Nutricionistas.
A ON sublinha ainda que combater a obesidade “implica uma visão intersectorial, envolvendo saúde, educação, autarquias e decisores políticos, com foco na promoção de comportamentos alimentares mais saudáveis e sustentáveis”. Neste Dia Mundial da Obesidade, a Ordem reafirma o seu compromisso em “contribuir ativamente para soluções que respondam a um dos mais exigentes desafios de saúde pública em Portugal”.




