Covid-19: Pandemia agravou situações de depressão e perturbações alimentares nos jovens 96

De acordo com Maria de São José Tavares, coordenadora do centro de atendimento para adolescentes Aparece, a pandemia de covid-19 agravou muitas situações de ansiedade, depressão e perturbações do comportamento alimentar nos jovens, assim como os consumos de álcool e tabaco.

Estas são as situações mais evidentes nos adolescentes que recorrem ao espaço Aparece, onde, neste momento, 90% dos atendimentos são por teleconsulta.

“Os jovens ficaram em casa, comeram mais, engordaram. Outros começaram a fazer dietas restritivas porque tinham engordado muito”, indicou Maria de São José Tavares, à agência Lusa.

Segundo a coordenadora do centro, o Aparece tem tido “imensos apelos”, mesmo para primeiras consultas, “a que é preciso responder” de “uma forma eficaz”.

Sãio muitos os jovens que estão com receio de voltar à escola e contrair a covid-19 e contagiar os familiares.

“Temos vários adolescentes que se infetaram neste percurso, mesmo muitos, e famílias inteiras”, disse Maria de São José Tavares, contando que houve muitos jovens que, “quando foi o período de maior liberdade, exageraram e fizeram disparates, e outros que têm mesmo medo de sair e estão isolados”, sublinhando que a pandemia “veio a agravar a fobia, os medos”, mas também o aumento dos consumos de tabaco e de álcool.

“Os adolescentes vão sair desta pandemia com tantas fragilidades, com tantos medos acrescidos, com tantas impossibilidades para compensar todo este período em que estiveram confinados”, afirmou a coordenadora da Aparece.

Maria de São José Tavares explicou ainda que “muitos dos adolescentes são referenciados para primeiras consultas pelas escolas o que neste período não existiu”, pois através da telescola, os professores não tiveram a oportunidade de avaliar algumas perturbações dos adolescentes ou até o absentismo e o abandono escolar, razões pelas quais muitas vezes são referenciados.

“Nós temos por mês a entrada, no mínimo, de 30 novos adolescentes. Com a pandemia tivemos um decréscimo, o que tem a ver com o contexto ambiental e social”, indicou, acrescentando que o facto de os jovens saírem menos de casa e as aulas presenciais terem dado lugar à telescola são algumas das razões para este decréscimo.

A Aparece– Saúde Jovem, foi um espaço criado há 21 anos pelo Governo no Centro de Saúde de Sete Rios, em Lisboa, para que os adolescentes tivessem um espaço dedicado exclusivamente aos seus problemas e pudessem partilhar todas as suas dúvidas num espaço de confidencialidade e privacidade.

Neste momento, há 3.500 adolescentes inscritos no Aparece, metade dos quais do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Lisboa Norte e os restantes de outros agrupamentos da Área Metropolitana de Lisboa.

Envie este conteúdo a outra pessoa