Alexandra Bento chama a atenção para o reforço de nutricionistas no SNS 292

Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas (ON), escreveu um artigo de opinião no portal “Viva! Porto”, no passado dia 22 de junho, que foi agora divulgado no portal da ON, denominado por “Obesidade: não podemos continuar a empurrar com a barriga”, onde fala sobre a obesidade e sua prevenção.

A Bastonária da ON começa por referir que “há cinco anos, um em cada quatro portugueses tinha obesidade e um em cada três tinha excesso de peso. Tudo somado, mais de metade da população estava acima do peso considerado normal. Agora serão mais”.

Alexandra Bento alerta para o aumento da taxa de obesidade tendo em conta as alterações alimentares, o confinamento e a falta de exercício devido à pandemia de covid-19.

“Recentemente, a Direção-Geral da Saúde deu a conhecer os resultados do inquérito realizado aos portugueses sobre alimentação e atividade física em contexto de contenção social. Verificámos exatamente aquilo que se temia: cerca de 42% dos inquiridos revelaram que mudaram os seus hábitos alimentares para pior. A esta alteração, soma-se o maior sedentarismo associado ao confinamento, que levou a que 26% da população afirmasse ter aumentado de peso durante este período”, escreve no seu artigo de opinião.

Isso faz Alexandra Bento “refletir sobre que efeitos é que isto terá na nossa população. O período de isolamento terá resultado, claramente, num aumento do peso dos portugueses e, mais preocupante do que os números da balança, é o agravamento do seu estado clínico com o surgimento de outras doenças associadas”.

Posto isto, a questão que a Bastonária deixa no ar é “de que estamos à espera para centrar as nossas atenções para esta outra pandemia? De que estamos à espera para agir?”.

“Tem de ser uma prioridade diminuir, com caráter de urgência, a incidência das patologias relacionadas com as más práticas alimentares na população portuguesa e continuar a caminhar no sentido de promover hábitos mais saudáveis. Com a implementação da já terceira fase de desconfinamento, é seguro dizer que podemos (e devemos!) retomar os cuidados relativos a todas as outras doenças que não a covid-19”, defende.

“Este é o momento para voltarmos às consultas adiadas, com a garantia e com a confiança de que serão desenvolvidas com todas as normas de segurança”, diz Alexandra Bento, que acrescenta ainda que “urge transmitir que agora, mais do que nunca, é necessário regressar, com confiança e sem receio, às consultas de nutrição, tanto no SNS, como na clínica privada”.

É necessário também que o governo tome medidas, pois “continuam a faltar profissionais para as executar e garantir resultados efetivos. Bastam 100 nutricionistas nos centros de saúde para acompanhar 10 milhões de portugueses? Serão os 40 nutricionistas previstos no concurso que se arrasta desde 2018 que vão fazer a diferença? A resposta parece clara”.

Alexandra Bento chama a atenção para que “doenças como a obesidade têm de ser acompanhadas e a sua prevenção tem de ser garantida. Caso contrário o peso não será apenas na balança, refletir-se-á seguramente no Serviço Nacional de Saúde (SNS), nos bolsos do Estado e, naturalmente, nas carteiras (e na saúde) de todos nós”.

“A obesidade não é uma doença que possa continuar a ser empurrada com a barriga. É fulcral que se intensifique a sua prevenção, mas também o seu tratamento, através da promoção de estilos de vida mais saudáveis, mas igualmente com o reforço de equipas multidisciplinares para o seu tratamento. E isto passará, sem dúvida, e fundamentalmente, pela integração de mais nutricionistas no SNS”, conclui a Bastonária.

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