
A Acta Portuguesa de Nutrição, revista científica da Associação Portuguesa de Nutrição (APN), entrou no 10.º aniversário com a certeza de que a afirmação internacional será um caminho a seguir, ao passo que a resposta rigorosa e ética aos desafios levantados pela Inteligência Artificial se configura como um desafio a superar.
Em entrevista à VIVER SAUDÁVEL, a equipa composta por Nuno Borges (diretor), Joana Araújo (diretora adjunta), Helena Real (coordenadora editorial) e Inês Garcia (coordenadora editorial adjunta), revisita a criação da Acta, analisa a sua importância para a classe e perspetiva uma forte base de confiança baseada em boas práticas.
VIVER SAUDÁVEL (VS) – Como escreve Nuno Borges no editorial na 42.ª edição da Acta Portuguesa de Nutrição, estamos perante “10 anos a promover o conhecimento científico em nutrição”. Esta data redonda traduz-se na maior prova de que a Acta veio para ficar?
Nuno Borges (NB) – A ambição da Revista não se esgota nesta década. Com a sua criação, procurou-se criar uma plataforma nacional de divulgação de trabalhos científicos na área das Ciências da Nutrição, que por um lado refletisse a qualidade da produção científica e a evolução do conhecimento em diferentes matérias, e por outro revelasse lacunas da investigação, instigando a resposta da comunidade académica e/ou científica.
Nestes 10 anos de existência estabelecemos uma rede de revisores com reconhecido mérito profissional, que em muito contribuíram para o sucesso da Revista, na qualidade de avaliadores críticos da ciência partilhada. Conseguimos igualmente construir uma relação de confiança com os autores, que escolhem a Revista para publicar os seus artigos, e com os leitores, que consideram a Acta Portuguesa de Nutrição uma fonte de informação credível. Queremos continuar a afirmar a Revista como uma referência no panorama científico nacional, investindo na visibilidade da mesma a nível internacional.
VS – Como surgiu este projeto, sucessor da Revista Nutrícias — a anterior publicação da Associação Portuguesa de Nutrição — mas que desta se distingue ao incluir arbitragem por pares e indexação nas principais bases de dados científicas?
Helena Real e Inês Garcia – A Acta Portuguesa de Nutrição veio dar continuidade ao trabalho iniciado pela Revista Nutrícias, que se traduziu em 25 edições publicadas. O compromisso da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, em 2001, (mais tarde Associação Portuguesa de Nutrição) foi o de democratizar o acesso ao conhecimento científico, ao criar uma publicação científica gratuita, ao nível do processo de publicação e acesso às suas edições.
“A fortificação não deve ser encarada como um indicador automático de saúde”
A arbitragem por pares e indexação em plataformas internacionais já se verificava nas últimas edições da Revista Nutrícias, o que facilitou a preparação de toda a transição para a Acta Portuguesa de Nutrição. Destacam-se, assim, os procedimentos técnicos editoriais, em vigor, que garantem a qualidade científica das edições publicadas, como é exemplo o sistema de revisão, por pares, duplamente cega, que exige o envolvimento no processo de revisão dos manuscritos de, pelo menos, 2 revisores e a garantia do anonimato dos autores e dos revisores.
Ademais, a indexação da Acta Portuguesa de Nutrição na plataforma SciELO representa um marco importante da Revista, que lhe permite aumentar a visibilidade e a acessibilidade dos artigos, alcançando uma audiência internacional, e fomentando o acesso aberto ao conhecimento, permitindo, ainda, ser uma rampa de lançamento para a presença em outras plataformas, cuja candidatura se prevê a breve trecho.
VS – São mais de 350 os artigos publicados na Acta. Qual o seu impacto concreto, não só para a Ciência em Portugal, mas também para a sustentação que terá permitido validar medidas políticas e de saúde pública, em prol da alimentação saudável e da nutrição?
Joana Araújo (JA) – A coleção da Acta Portuguesa de Nutrição contempla, à data, 42 edições, que encerram mais de 350 artigos publicados, maioritariamente originais e de revisão. Só através da divulgação do conhecimento em plataformas com notoriedade científica, como a Acta Portuguesa de Nutrição, se combate a desinformação, se abre portas para nova investigação, e se partilham métodos e resultados com a comunidade académica e científica, bem como com autoridades competentes.
Toda a evidência produzida contribui para a definição de novas linhas de investigação e de políticas de saúde pública. A abrangência dos trabalhos publicados na Acta Portuguesa de Nutrição, que cobrem as diferentes áreas de atuação do nutricionista, permite dar resposta às necessidades dos colegas, salvaguardando uma intervenção baseada na melhor evidência científica disponível.
VS – De que forma esta plataforma consolidou a sua relevância para os nutricionistas? O que representa para a classe ver os seus artigos publicados na Acta Portuguesa de Nutrição?
NB – Para os nutricionistas e estudantes de licenciaturas conducentes à profissão de nutricionista, a Acta Portuguesa de Nutrição constitui uma oportunidade de aquisição e/ou de atualização de conhecimentos, e/ou de partilha de conhecimento na área das Ciências da Nutrição, através da publicação científica. A comunicação da ciência nesta Revista decorre sem custos associados, dado tratar-se de uma Revista de acesso aberto, pelo que os processos de submissão, de publicação e de disponibilização de artigos científicos são totalmente gratuitos.
Para a classe profissional, a publicação na Acta Portuguesa de Nutrição representa o compromisso no crescimento do conhecimento nesta área de saber e a credibilidade profissional dos colegas, assim como um elemento diferenciador na carreira profissional, aumentando a competitividade entre profissionais.
VS – O que podemos esperar da Acta Portuguesa de Nutrição no futuro?
JA – Nos anos vindouros, a Revista pretende preservar a relação de confiança que tem vindo a construir com os autores, os revisores e os leitores, e ter uma atuação baseada em boas práticas na publicação científica. A Acta Portuguesa de Nutrição irá continuar a investir na divulgação científica nas áreas das ciências da alimentação e da nutrição, acompanhando a evolução da investigação e da prática profissional em Portugal, pretendendo afirmar-se como uma fonte nacional de referência nesta área.
Adicionalmente, procurará afirmar-se internacionalmente, com exploração de outras plataformas de indexação, e munir-se de ferramentas que lhe permitam dar resposta de forma rigorosa e ética aos desafios levantados pela inteligência artificial ao nível da escrita e publicação científicas.




