O luto dos idosos ainda não conta e este projeto quer mudar o paradigma 77

Num país cada vez mais envelhecido, o luto nas pessoas mais velhas é uma realidade frequente, mas ainda pouco reconhecida nas respostas de saúde e na comunidade. Para responder a este desafio, o Ispa – Instituto Universitário, em parceria com a InLuto, está a desenvolver o projeto GriefDiff, um estudo que pretende compreender melhor as necessidades de apoio psicológico nesta fase da vida e testar novas formas de intervenção.

Financiado pela Fundação “la Caixa”, o projeto surge num contexto de envelhecimento populacional acelerado, em que o impacto do luto na saúde, no bem-estar e na vida social tende a ser mais profundo e prolongado.

“Com o GriefDiff, queremos perceber, com base em evidência, que apoio no luto faz mais sentido para cada pessoa mais velha, em função do risco e necessidades relacionais. O nosso objetivo é desenvolver um modelo comunitário, preventivo e diferenciado, que chegue a quem precisa, quando precisa”, afirma Alexandra Coelho, co-investigadora principal do projeto, em comunicado.

O GriefDiff vai comparar três formas de apoio baseadas em evidência, literacia no luto, intervenção digital de autoajuda e grupos de autoajuda moderados — com o objetivo de perceber que tipo de resposta funciona melhor, para quem e em que condições.

A participação é voluntária e destina-se a pessoas com 60 ou mais anos, residentes em Lisboa, áreas limítrofes ou com possibilidade de participação online, que tenham vivido uma perda significativa entre 1 mês e 1 ano.

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O projeto propõe uma abordagem diferenciada e ajustada às necessidades de cada pessoa, assente num modelo escalonado de intervenção:

  • Literacia no luto (psicoeducação): informação clara para compreender e normalizar o processo de luto
  • Intervenção digital de autoajuda: programa estruturado com conteúdos e exercícios práticos
  • Grupos de autoajuda moderados: espaços de partilha e suporte entre pares

Mais do que estudar o luto, o GriefDiff pretende contribuir para o desenvolvimento de respostas mais acessíveis, preventivas e ajustadas à realidade das pessoas mais velhas.

O luto em idades mais avançadas pode ter consequências significativas, “incluindo impacto na saúde física e mental, aumento do isolamento social e diminuição da qualidade de vida”. Ainda assim, continua a ser pouco valorizado enquanto tema de saúde pública.

“Queremos contribuir para a diferenciação de cuidados nas pessoas mais velhas, onde o luto é frequentemente desvalorizado. Apoio mais precoce, mais humano, mais próximo. Menos isolamento, menos sofrimento evitável”, acrescenta Alexandra Coelho.

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Com este projeto, os investigadores pretendem não só aprofundar o conhecimento científico sobre o tema, mas também ajudar a transformar a forma como a sociedade reconhece e responde ao luto.