Moçambique com cerca de três milhões de pessoas com diabetes 48

Cerca de três milhões de moçambicanos vivem com a diabetes, com as autoridades a introduzirem um novo medicamento para o tratamento visando reduzir amputações de membros inferiores devido às complicações da doença, avançou hoje o ministro da Saúde.

“Cerca de três milhões de moçambicanos vivem com diabetes e nós sabemos que a diabetes não controlada é uma das principais complicações de várias doenças, complicações cardiovasculares, complicações neurológicas, complicação da visão”, disse o ministro da Saúde de Moçambique, Ussene Isse, citado pela agência Lusa.

O responsável falava em Maputo, no início de uma formação sobre tratamento do pé diabético e uso do medicamento Heberprot-P, com o Governo a introduzir este fármaco no Sistema Nacional de Saúde (SNS) para acelerar o tratamento da doença e reduzir os números de amputações de membros inferiores.

“O pé diabético é uma das principais causas de amputação não traumática na República de Moçambique. Trabalhamos todos os dias com cerca de seis a sete amputações ou até mais por semana, com complicações de feridas no pé, chamadas úlceras”, disse Ussene Isse.

Para o ministro da Saúde, tratar o pé diabético é um “desafio enorme” em que “muitas vezes” as autoridades da saúde não conseguem vencer este tipo de complicações, indicando que a amputação acaba sendo a solução final.

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O Governo moçambicano iniciou hoje a formação de 30 profissionais de saúde das maiores unidades sanitárias da cidade e província de Maputo, incluindo médicos cirurgiões, ortopedistas e enfermeiros para o uso deste medicamento na nova forma de tratar a diabetes.

A formação conta com a parceria da missão cubana em Moçambique e com a clínica privada Marcelino dos Santos junto do Hospital Central de Maputo (HCM), onde decorre a formação teórica e prática, sendo que a clínica parceira desta iniciativa, que já usa o medicamento nos seus pacientes, quer ver mais formações do género nas regiões centro e norte de Moçambique para se salvarem mais vidas.

“Hoje estamos a introduzir uma grande inovação, uma esperança para os moçambicanos, um tratamento já provado com cerca de 70% de cura na maior parte dos doentes ou até mais” disse o ministro, indicando que este tratamento vai acelerar a cicatrização, reduzindo o nível de amputações.

O tratamento com o medicamento Heberprot-P ao pé diabético consiste em eliminar as feridas causadas sobretudo nos membros inferiores pela diabetes, acelerando a cicatrização e diminuindo a possibilidade de amputações, sendo que este tratamento precisa de seis a oito semanas para sarar das feridas, conforme informação avançada no local.

Só a nível do Hospital Central de Maputo, ocorrem diariamente pelo menos cinco amputações devido a complicações com diabetes, com o diretor do departamento de cirurgias da maior unidade hospitalar do país a indicar que este novo medicamento vai melhorar o tratamento das feridas.

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“Este novo medicamento que já foi registado no país e vai estar acessível ao sistema nacional de saúde (…) são injeções que têm de ser feitas dentro das feridas que eram difíceis de sarar, […] a cicatrização é muito mais fácil e deixa de haver complicações com a infeção que poderiam terminar em amputação”, explicou Atílio Morais, cirurgião cardiovascular e torácico no HCM e diretor do departamento de cirurgias no HCM.