Anthropic já impediu investigações que se podiam relacionar com armas biológicas

A Anthropic, criadora do assistente de inteligência artificial (IA) ‘Claude‘, já impediu este ano pelo menos cinco projetos de investigação potencialmente relacionados com o desenvolvimento de armas biológicas, algumas com elevado potencial pandémico.

Segundo relatório “Detectar e combater o mau uso da IA“, divulgado na quinta-feira e noticiado pela agência Lusa, pelo menos quatro casos estiveram ligados a organismos estatais que Anthropic decidiu não divulgar, perante a possibilidade de serem apenas estudos académicos.

O primeiro dos exemplos incidiu sobreatividades de investigação e desenvolvimento para tornar o vírus do chikunguna mais transmissível e resistente ao sistema imunitário.

A empresa destacou que o conhecimento obtido poderia usar-se na criação de vacina e tratamentos, se bem que o facto do formulário da subvenção indicar que os cientistas seriam civis, mas a investigação decorreria em um laboratório militar, ter levado ao bloqueio da conta da ‘Claude’.

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Segundo a Organização Mundial de Saúde, o chikunguna é uma doença transmitida por mosquitos que provoca febre e uma dor “incapacitante” nas articulações.

A Anthropic constatou a intenção de um organismo estatal de usar os seus modelos de IA para estudar venenos não contagiosos. E acabou ainda a bloquear outro utilizador que investigava toxinas bacterianas e proteínas de febres hemorrágicas virais com capacidade pandémica.

A tecnológica norte-americana detetou ainda iniciativas similares, mas com fins menos insuspeitos, para investigar o vírus causador da varíola ou a passagem da gripe das aves para os mamíferos.