APNEP alerta para o aumento de doentes malnutridos 0 286

A Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica (APNEP) vem alertar, através de comunicado, para o “aumento do número de doentes em em situação de carência nutricional” e “denuncia a falta de acompanhamento destes doentes quando têm alta hospitalar”, durante a pandemia por covid-19.

“A dimensão de doentes malnutridos que se encontram no ambulatório/domicílio sem qualquer tipo de acesso à nutrição clínica aumentou de forma drástica durante esta pandemia”, indicou o presidente da APNEP, Aníbal Marinho.

De acordo com o Grupo de Estudos de Medicina Interna da APNEP publicado no início de 2020, 73% doentes internados em Medicina Interna estão malnutridos, sendo que desses 56% apresentam malnutrição moderada e 17% malnutrição grave.

O presidente da APNEP acredita que neste momento a dimensão de casos seja muito superior.

“Se antes da covid-19, a realidade destes doentes já era preocupante, agora é ainda mais, sobretudo no domicílio/ambulatório onde não há qualquer tipo de acompanhamento”, sublinha.

Aníbal Marinho explica ainda que “muitos destes doentes agravam o seu estado nutricional ainda durante o internamento e quando têm alta saem sem qualquer apoio do Estado para manter a nutrição clínica em casa”.

“É urgente criar linhas de apoio para estes doentes, de forma a evitar que voltem para os hospitais em pior estado clínico do que estavam e acabem por lá falecer. A verdade é que ninguém pensou ou planeou o acompanhamento destes doentes numa altura tão crítica como esta que vivemos”, sublinha.

O presidente da APNEP refere também a falta de nutricionistas a trabalhar nos hospitais e nos centros de saúde, para a escassa informação sobre nutrição nos serviços de saúde e para a falta de formação dos profissionais de saúde, o que leva a que “os processos de referenciação destes doentes sejam ainda mais complexos”.

O comunicado divulgado lembra ainda que Portugal regista anualmente mais de 115 mil casos de doentes no domicílio/ambulatório em risco nutricional que precisam de apoio nutricional com recurso a nutrição clínica (entérica e parentérica). E que 2 em cada 4 doentes internados se encontrem em risco nutricional, o dobro da média europeia.

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