Cerca de 4,4 milhões de somalis enfrentam insegurança alimentar 112

Cerca de 4,4 milhões de somalis enfrentam insegurança alimentar, alertou hoje o Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, que recordou que as condições atuais fazem lembrar a crise de 2022.

Segundo o PAM, a assistência alimentar e nutricional de emergência à Somália está em risco devido à escassez de financiamento internacional.

“Os recursos da organização deverão esgotar-se dentro de semanas se não forem urgentemente reforçados”, lamentou o PAM num comunicado ,consultado pela Lusa.

O país enfrenta uma escassez de água, perda de colheitas e de gado e deslocações em grande escala, o que, para o PAM, faz recordar a crise de 2022, “quando a fome, consequente da maior seca de que há registo, foi evitada por pouco graças a um apoio internacional em grande escala”.

Para a agência da ONU, a Somália enfrenta uma das crises de fome mais complexas dos últimos anos, impulsionada por duas épocas consecutivas de ausência de chuvas, pelo conflito e por uma forte redução do financiamento humanitário.

Consequentemente, um quarto da população – 4,4 milhões de pessoas – enfrenta níveis de insegurança alimentar de crise ou piores, incluindo quase um milhão de mulheres, homens e crianças em situação de fome severa, lamentou o PAM.

“A situação está a deteriorar-se a um ritmo alarmante. As famílias perderam tudo e muitas já estão à beira do colapso. Sem apoio alimentar de emergência imediato, as condições vão agravar-se rapidamente”, afirmou o diretor de preparação e resposta a emergências do PAM, Ross Smith.

O PAM enfrenta atualmente um grave défice de financiamento que o obrigou a reduzir o número de pessoas a receber assistência alimentar de emergência, passando de 2,2 milhões no início de 2025 para pouco mais de 600 mil.

“Isto significa que o PAM está atualmente a apoiar apenas uma em cada sete pessoas que necessitam de ajuda alimentar para sobreviver”, frisou.

Os programas de nutrição também foram drasticamente reduzidos, passando de quase 400 mil mulheres grávidas ou a amamentar e crianças pequenas apoiadas em outubro de 2025 para apenas 90 mil em dezembro.

“Sem financiamento imediato, o PAM será forçado a suspender a assistência humanitária até abril”, alertou.

O PAM necessita urgentemente de 95 milhões de dólares (cerca de 87 milhões de euros) para continuar a apoiar as pessoas mais afetadas pela insegurança alimentar na Somália entre março e agosto de 2026, concluiu.