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Estudo: mais de 60% dos portugueses tem problemas digestivos

 

 

 

30 de novembro de 2018

Um estudo desenvolvido pela "Marktest", que teve como amostra 750 portugueses, entre os 18 e os 64 anos, concluiu que mais de 50% tem problemas digestivos e não sabem porquê.

O estudo, que contou com a ajuda dos especialistas Ana Brarvo, Filipa Jardim da Silva, Rui Pinto, Sofia Castro Fernandes e Sofia Veiga, revelou que mais de 50% das pessoas analisadas considera que a saúde digestiva é apenas influenciada pela alimentação.

Porém, os que demonstram ter mais sintomas de desconforto digestivo são também os que — além de terem uma alimentação pouco equilibrada — dormem pior, têm maiores graus de stress e praticam menos exercício físico.

Da amostra, 61,7 por cento diz sofrer de algum sintoma desconforto digestivo várias vezes por mês, mas desvaloriza, não os considerando realmente um problema a ser tratado.

Os sintomas mais mencionados são barriga inchada (52,3 por cento), enfartamento/digestão lenta (39,2), mau hálito (33,5), azia (30,8), prisão de ventre (29), cólicas (28,8) e diarreia (19,2 por cento).

Para os especialistas envolvidos no estudo sobre a saúde digestiva dos portugueses, os resultados não são surpreendentes, mas não devem ser ignorados.

Rui Pinto, especialista em digestão, explica no site do projeto “Tudo Começa por Dentro” que «o facto de as pessoas estarem a desvalorizar os sintomas de desconforto digestivo merece atenção e pode ser também por isso que não se têm registado mudanças significativas nos seus comportamentos (…) Não podemos é continuar a achar que ter sintomas de desconforto digestivo todos os meses, várias vezes por mês, é algo que não merece a nossa atenção».

A parte da população que mais mostra estar preocupada com os sintomas são as mulheres (41,4 por cento), entre os 25 e os 34 anos, e quem apresenta um IMC (Índice de Massa Corporal) equivalente à obesidade (35,8 por cento). São também estes grupos que registam maior nível de stress, pior qualidade sono, menor atividade física e uma alimentação rica, sobretudo, em açúcares e/ou gorduras e salgados.

Para Sofia Veiga, especialista em atividade física, quando os portugueses perceberem que o exercício físico no dia a dia é tão importante como fazer as refeições diárias muita coisa vai mudar. Mas não basta isso.

«Todo o desgaste emocional (stress e falta de descanso) pode fazer com que o corpo peça energia de uma forma mais descontrolada. Nestes estados é comum ocorrerem as crises de fome ou a tendência por opções menos saudáveis (mais calóricas, com mais açúcar, gordura ou sal) que nos dão uma sensação de energia mais imediata, assim como nos levam a comer mais e mais rápido», completa Ana Bravo, especialista em alimentação.